quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Paradoxo do tempo

Pare para pensar como o novo é valorizado hoje em dia. Tudo que é novo é melhor. Praticamente como se tivéssemos uma louca vontade de consumo por novidade. Em um primeiro momento, podemos pensar que é um sentimento positivo, pois graças a ele, uma sociedade altamente materialista se mantém consumindo e alimentando está grande roda.

Porém em alguns casos, este sentimento acaba sendo destrutivo, acabando com qualquer tipo de perpetuação, continuidade e crescimento. Alias, porque esta preocupação com perpetuação, parece palavra de biólogo ou teólogo. Mas ainda sim, vale a pena pensar sobre esta questão.

Abaixo três situações que pensei nesses dias, e refletem bem este raciocínio:

1) Imagine você consumidor de longa data de uma marca, assinatura de revista, operadora de telefonia ou televisão a cabo. Você com anos de “fidelidade”, quando pede um desconto, melhora nas condições, promoção ou até um reparo urgente, na maioria das vezes, não recebe nada. Porém para o Novo cliente, existem muitas vantagens, descontos e anuidades, em cada caso, para facilitar que vire cliente. A partir do momento que virou cliente, volta a fazer parte do outro pedaço do bolo.

2) Um funcionário faz muito bem a sua função, corre atrás e se esforça. Pode até conseguir um aumento gradual, mas com certeza será menor do que o profissional que é contratado no mercado para atender uma função específica. Prata da casa é mais valorizada, apenas em alguns casos, em geral o apreço pelo Novo se sobressalta.

3) Por fim a situação clássica, em que o relacionamento, namorados ou casados após longo tempo, começam a se cansar e buscar o Novo fora da relação. Sim, em uma primeira análise, essa é uma situação que pode gerar a traição ou o fim dos relacionamentos.

Embora desconexas, as situações possuem algo em comum. O que se torna velho, costumeiro passa a agregar menos, a ser repetitivo e previsível. Com o passar do tempo, é importante se renovar, se transformar e até cancelar algumas relações desgastadas, para que elas possam superar o marasmo e voltarem a ser lucrativas e proveitosas.

Como fazer isso, essa é a graça e o desafio da história. Mas pare e pense em tudo que está igual e no que poderia haver de novo, para criar a transformação.

Um comentário:

  1. Completamente de acordo com sua visão! Aliás, no caso específico de desconto e promoções para novos clientes, sempre achei um cúmulo.

    Por outro lado, essa política de "ode ao novo" é necessariamente ruim? Se si, por que?

    Fabio Kann

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